terça-feira, 1 de julho de 2008

partida!!!

ultimas horas em Oxford antes da grande partida. Tenho falado individualmente com varias pessoas sobre a viagem, mas nao postei nada de muito concreto ainda. As coisas tem se desenrolado muito bem aqui em Oxford, e com certeza voltarei cheio de historias e estorias para contar, e certo do processo constante de transformacao pelo qual escolhi viver, que ultrapassa essa viagem, que e' e sera' somente um no' a mais nesse processo constante de descobrir e criar o mundo.

se tiver tempo, postarei algumas fotos da viagem. Se nao so' quando regressar!!

saudades de casa, mas muito empolgado pra cair no mundo

(e justo hoje que ate fez um calorzinho aqui nessa ilha que so' chove!!!)

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Hoje recebi um email do meu brou! Achei pertinente publicar a conversa, já que faz tempo que não me manifesto aqui:

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Brou,

Tive uma viagem com a banda pra participar de uma festa junina fora da cidade nesse fim de semana. Mas fiquei morrendo de vontade de participar do tal do World Naked Bike Ride. Eu ia e ficaria totalmente nu, com certeza. Mas parte de mim gosta de ficar apenas observando as primeiras edições desses eventos alternativos pra ver o que acontece e participar do segundo, se tudo correr bem. Desta vez, acho que essa minha cautela valeu: http://tinyurl.com/5gbe7v

Eu estou pensando muito em adotar a bicicleta no meu dia-a-dia. Desde que você viajou, reativei o ateliê e voltei a pintar. Estou atualmente com três quadros ao mesmo tempo no ateliê e adorando trabalhar tão perto de lá. Ir pra lá de bicicleta seria ridiculamente fácil. E ir para o trabalho também não seria muito complicado. Principalmente com essa bicicleta dobrável que eu poderia guardar facilmente na agência. Agora só falta coragem. Essa reportagem me deu uma inspiração. Acho que vou experimentar nessa semana.

E o trampo? Ganhando grana para a viagem?

Me faz um enorme favor? Quando você estiver em Roma, tem uns restaurantes (meio com cara de boteco, bem low-budget) que servem “filè di baccalà”, um tipo de bacalhau à milanesa, muito gostoso! E eles servem com uma salada de uma mato muito bom que eu queria saber o que é pra ver se acho aqui no Brasil. Mas não lembro do nome daquilo. Será que você descobre? Lembro que o Piero Ascarelli, amigo da vovó, me levou num desses botecos perto da Piazza Navona. Recomendo!

Bom, tem um monte de outras coisas que eu queria escrever pra te contar, mas não vou fazer você perder tanto tempo assim na frente da net. Te escrevo mais depois.

Inté!

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Aeee!!!

entao, acho q tem que adotar a bicicleta com certeza! gostaria de
conseguir usar mais a bicicleta quando voltar ai, mas como eu to
sempre fazendo coisas em lugares diferentes e carregando teclado e tal
nao sei como vai ser. Mas com certeza é algo que eu vou tentar
utilizar ao máximo.

Acho que a gente se acostuma ao jeito de viver que é disseminado na
nossa classe média em sao paulo, e se esquece que da pra ser diferente
né. Ai quando a gente vem pra Europa aceita viver de um modo diferente
e acha o máximo, mas depois é incapaz de reproduzir isso no Brasil.
Lembro do seu impasse quando voce estava procurando um lugar pra morar
ai antes de eu ir viajar... agora pensando melhor é complicado mesmo
comparar morar em londres na zona 3, divindo a casa com mais sei la
quantas pessoas e andando de bicicleta com morar em sao paulo na
avenida paulista, sozinho e com carro né. Talvez a gente precise é
achar pessoas com quem a gente possa trazer um pouco desse modo de
viver europeu... no brasil por mais q se diga q as pessoas sejam mais
simpaticas e carinhosas e tal, a gente ainda é muito mais
individualista... culpa do tio sam la de cima na minha opiniao.

agora sobre o World Naked Bike Ride, fiquei com muita vontade de
participar!!! acho que rolou aqui em Londres mesmo, mas nem consegui
pegar, tambem nao conheço ninguem aqui que foi (se é que rolou). Mas
eu gostei do que rolou em sao paulo, com policia e tudo. Olha, uma das
coisas que eu queria mesmo pegar aqui na Europa mas provavelmente nao
vou encontrar é uma manifestaçao, dessas que sai um monte de gente na
rua mesmo, confronto, tensao e tal. Deve ser demais!

Bom, vo começar a viagem dia 1 de julho! estou na contagem regressiva
aqui, vai ser boa. E acho que com o trampo q eu to dando nesses
ultimos meses até vai dar pra levar uma graninha de volta pra casa.
Comprei aqui um laptop e alguns equipamentos de musica e tal, tem que
aproveitar né!

Entao, pode me contar as varias coisas porque tempo na internet eu
tenho de sobra! comprei um laptop aqui, e tem um wireless aqui em casa
entao é de boa! agora quero ver como vou passar pela alfandega, com um
laptop e dois equipamentos de som e tal... hehehe

falow!

terça-feira, 29 de abril de 2008

Zooropa Tour !!!

Ae pessoas,

A organização para a Zooropa Tour já começou. Estou organizando junto com o Filipe, amigo do trampo, a viagem de volta. O roteiro já foi discutido e debatido arduamente durante as ultimas duas ou tres semanas, principalmente no tocante à otimização dos custos de transporte. Descobrimos que hoje em dia vale mesmo a pena ir de avião... mesmo comprando aqueles passes globais (quer dizer, europeus) de trem, pra um roteiro com umas 10 paradas mais ou menos, que é o que a gente imagina, não compensa muito, sendo que tem passagens baratas de avião, principalmente entre cidades grandes, muuuito baratas se compradas com antecedência. Decidimos depois de muito embate por uma estratégia mixta, com trajetos de avião e outros de trem. Confesso que a viagem saiu um tanto diferente do que eu imaginava quando planejava ainda a saída do Brasil, mas acho que o roteiro ta bom... bem geral mas muito bom. E fora que uma compania na viagem sempre faz bem, apesar do meu gosto por fazer as coisas sozinho. Parece que um primo dele vai participar também, vindo do Brasil, então já forma um time legal. Mas enfim, hoje começaram as primeiras confirmações!!!

Aproveitamos a proximidade do Peidei ("dia do pagamento" para os não letrados no idioma Anglo-Saxão) que será amanha para reservar já as passagens aéreas. Os trechos de trem não podem ser comprados antes de 60 dias antes da viagem, por isso esperaremos mais um pouco. Fora que ainda temos que receber um pouco mais, pra ficar mais confortável e seguro financeiramente. Bom, sem mais delongas, ai vai o roteiro geral!!!!

30.06 - Oxford - Londres (bus)
02.07 - Londres - Amsterdam (barco!!)
06.07 - Amsterdam - Berlim (aviao)
09.07 - Berlim - Veneza (aviao)
11.07 - Veneza - Trieste (trem)
12.07 - Trieste - Roma (trem)
15.07 - Roma - Paris (aviao)
17.07 - Paris - Madrid (aviao)
20.07 - Madrid - Valencia (trem)
21.07 - Valencia - Barcelona (trem)
25.07 - Barcelona - Lisboa (aviao)
??.07 - Lisboa - Faro (trem ou bus)
30.07 - Lisboa - Londres
??.?? - Londres - SÃO PAULO!!!

Falando de dinheiro, o budget realizado até agora é de 230 libras esterlinas por cabeça. O budget total calculado da viagem gira em torno de 600 a 700, com uma certa margem de segurança ainda. De qualquer forma, esse budget ainda ta bastante confortável dentro da receita prevista até lá, ainda com uma meta de voltar com um pé de meia agradável pra casa, e em libras ainda!

Em relação aos planos iniciais, deixo para a próxima (que espero que ocorra em um futuro a médio prazo!) os seguintes pogramas:
- Praga e leste Europeu: com muitississima dor no coração, mas o roteiro tava apertado e as passagens de aviao pra la são um tanto mais carinhas. Praga era um dos meus destinos considerados obrigatórios, mas tive que sacrificar essa...
- Sul da França: minha ideia era ir de trem entre a Italia e a Espanha passando pelo sul da França, mas vimos que ficaria economicamente inviável, fora o excesso de destinos para o tamanho do nosso tempo-dinheiro.
- Festivais: gostaria de pegar um festival grande desses que tem no verão pela Europa. Tentei encaixar no roteiro, mas fora o gasto extra não daria muito tempo... mas ainda surge a possibilidade de um mini festival insano em Junho, antes da viagem, cuja natureza e data especifica manterei em sigilo pra dar um suspense!

Mas é isso ai!!! Ah, o ponto de interrogação na data da volta pra São Paulo significa que ainda não decidi por completo se voltaria logo no dia seguinte à chegada de Lisboa, no caso 31 de Julho, ou se passo um diazinho em Oxford pra dar um tchau pro pessoal aqui... Mas vou decidir e remarcar essa passagem (que inicialmente tinha compra pro dia 31 de Maio) no máximo semana que vem.

E falando em canto pra dormir, também outra coisa que descobri nesses planejamentos de viagem, por indicação de um amigo daqui muito firmeza, é uma comunidade chamada Couch Surfing. A idéia é que as pessoas se inscrevem, fazem perfis e tal oferecendo ou procurando um canto pra um viajante ai dormir uma ou duas noites. O site tem todo um sistema de verificações e recomendações entre os usuários pra ajudar na confiabilidade e "segurança" pro viajante e pro dono da casa também. Achei a idéia genial, um bom modo de viajar pra conhecendo, além de pessoas potencialmente interessantes, pessoas que podem te contar mais sobre a cidade, dar dicas de programas bacanas e, principalmente, a oportunidade de entrar em contato com a vida local da cidade - mesmo que rapida e superficialmente. É o poder da web 2.0 dessa vez aproximando as pessoas de verdade!! Pra quem se interessar, parece que tem uma galera do Brasil nesse site ai. Da pra fazer umas viagemzinhas massa por ai, com uma redução considerável no budget e um aumento considerável na diversão! quer mais?! ;)

É lógico que a experiência de albergue também é interessantíssima em outros aspectos muito relevantes, como conhecer pessoas das mais variadas nacionalidades misturadas num lugar só. Acho que de certa forma o albergue acaba formando um ambiente que é praticamente o cúmulo do cosmopolita, uma mistura de varios modos idiomas, culturas e modos de vida, apesar de bastante enviesada economicamente. De toda forma, a idéia pra essa trip é experimentar um ou outro sofá por ai, também pra sentir qual é a desse negócio ai, mas se basear mesmo no sistema antigo albergue.

Bom, é isso ai! atualizarei os further developments!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Neighborhood - Cowley Place

mudei de casa. semana passada. Pois é, o processo foi tão repentino quanto essa noticia assim logo no começo do post. Ao mesmo tempo em que o meu aluguel na primeira casa estava prestes a vencer, surgiu a proposta de dividir um quarto com um amigo do trabalho (Filipe), com quem tambem planejo meu tour pela Europa antes de voltar pra Sao Paulo. Dividindo o quarto, estou pagando quase metade do que pagava na outra casa, e apesar de não ser muito fã da idéia de dividir quarto, pensando que faltam praticamente só dois meses até o inicio da viagem de retorno acho que vale a pena o esforço, pra guardar uma grana e fazer uma trip bacana. Mudei para um lugar não muito longe de onde eu morava antes, apesar de ser uma região um pouco mais periférica (pra não falar marginalizada), com mais imigrantes em vez de estudantes, por isso o aluguel cai um bocado também.

Mas isso me da um gancho perfeito pra falar do bairro e da região onde moro. Uns 5min de bicicleta do centro, a principal rua dessa região é a Cowley Road, onde inclusive fica o restaurante "sino-brasileiro" onde trabalho. Antes morava em Headington, um bairro bem acima da Cowley road, mas perto suficiente pra ir a pé inclusive, só na volta que tinha uma ladeirinha cruel. Agora estou morando numa travessa da Cowley, mais em direção ao fim do mundo, mas não o suficiente pra chegar nas regiões consideradas inóspitas por aqui, como Blackbird Leys and such. Mas como toda periferia, ou semi-preriferia, a Cowley é o caldeirão étnico de Oxford. De qualquer jeito, mesmo antes de conhecer direito a região já me interessei em morar por aqui, ao ver que muitos dos anúncios de shows e eventos e muitas das indicações de pessoas quando perguntava sobre possíveis lugares para tocar já apontavam pra lá. Por isso escolhi Headington pra morar, por ser igualmente perto da Cowley e da Universidade onde foi o meu curso (que por sinal acabou semana passada e foi demais!!). É na Cowley onde estão algumas das casas de show e baladas da cidade, um punhado de pubs, mercearias de arabes, indianos chineses e tudo mais, uma mesquita e, é claro, o restaurante. E eu como o que eu gosto mesmo é de ver o povo na rua, é um prato cheio.

Parêntesis: agora escrevendo sobre isso me faz lembrar da falta de fotos que tenho para ilustrar o comentário sobre o bairro. Já tinha pensado nisso, mas sempre deixando pra outra hora... vou tentar tirar algumas fotos essa semana e atualizo aqui.

Mas agora passando para a parte político-filosófica (e dessa fez um tanto fofoqueira) do post, é também na Cowley onde fica o Comunity Center onde toda a quinta rola o Catweazel Club, sarau open mic onde de vez em quando toco um violãozinho (faz tempo que não vou, desde que começou o trampo, apesar de ter a quinta de folga, mas sempre surgem outras coisas). Nessas semanas então aconteceu um causo curioso por lá. Parece que os coxinha (vulgo gambé ou policia pros mais letrados) forçaram o fechamento do bar do local, segundo os frequentadores do Clube um dos últimos pontos onde se podia beber a um preço razoavel em um ambiente legal em Oxford (o Catweazel Club continua, mas o pessoal precisa agora trazer a própria bebida de casa). Isso também foi o que me impressionou quando fui la da primeira vez, ao encontrar um boteco e um ambiente muito mais próximo de um C.A. da USP do que os pubs pseudo-chiques ou as baladas que parecem dominar absolutamente as opções de programas etílicos da Inglaterra. Até uma balada de reggae e dub (que de reggae não tinha nada, só dub) que fui há um tempo atrás foi num pub, bem desses estilo O'Maileys da vida. Bom, mas onde quero chegar é que o pessoal ensaia por ali uma mobilização contra o fechamento do bar pela polícia, que parece que tinham vindo há um tempo atrás com cães farejadores e tudo, e encontraram rastros daquela tal erva mardita por ali. O organizador do Catweazel Club nos mandou um e-mail muito sincero, observando a abertura de grandes baladas (como a Carling Academy, que fica a não muito mais de 100 metros do Community Center) e cafés e restaurantes chiquezinhos (acho que o restaurante brasileiro pode até se encaixar nessa categoria ai), inibindo e excluindo as areas de entretenimento barato pra galera. Por outro lado, os policiais dizem que vão fechar o bar pra evitarem os "maus elementos" que circulam na região. Agora vendo um monte de gente tocando musica e recitando poesia de um lado e um bando de palyboy enchendo a cara e causando na rua do outro me pergunto onde estariam esses maus elementos afinal! Não que eu fique nessa posição de achar que os policiais são inescrupulosos e manipulados pelo cruel sistema capitalista, mas infelizmente faz tudo parte da lógica de deixar a região mais civilizada, "segura" e agradavel.

Hardt e Negri, autores dos livros que estou lendo (comentados anteriormente) observam os fenomenos econômicos, políticos e sociais - que segundo eles já não podem mais ser pensados isoladamente, são necessariamente interligados - decorrentes da globalização e do fim da modernidade com a soberania dos estados-nação. Segundo eles, assim como não existe mais o relacionamento entre estados-nação independentes, já que todos estão subordinados a sistemas globais de governância (a ONU na esfera política, o mercado de capitais na economica e os direitos universais do homem na social, só pra citar alguns exemplos), quebra-se também a divisão clara que existia entre os povos, uma questão racial e étnica que surge na época colonial e econÇomica principalmente na guerra fria com sua divisão de primeiro, (segundo) e terceiro mundos. Não que essas divisões e segregações deixem de existir de uma hora pra outra, mas suas barreiras mostram-se cada vez mais permeáveis e instáveis. As crescentes ondas migratórias, principalmente do terceiro mundo pra Europa, principalmente com as ex-colonias, filhos de antigos emigrantes (como o meu caso!) e etc inundam o velho continente com uma riqueza étnica nunca antes vista! Fora os problemas econômicos que agora batem na porta do mundo "civilizado", mostrando o preço dessa civilidade bem na cara. Me faz lembrar a carta do Marcola que li no e-mail certa vez. Nem sei se a carta era realmente dele, mas falava também dos ataques do PCC em São Paulo como algo como botar uma realidade cotidiana e banal da favela (como matar pessoas por exemplo!) colocada bem no tapete da porta da classe média. E enfim.

Bom, chega de divagação, essa foi mesmo só pra jogar uma lenha na fogueira. O resumo da ópera é que a Cowley é o terceiro mundo de Oxford, e é interessante ver como todas essas relações e conflitos se reproduzem tanto em nível local como no nível global entre os terceiromundistas e os países mais "civilizados". Mesmo assim, é de se saber já que eu me amarro mesmo numa zona, já que é no caos que a realidade se cria. Bom, mas são pontos muito interessantes de se ver, se conseguir é lógico se livrar dos preceitos básicos da moral e dos bons costumes do "estado de direito" e refletir sobre como (e principalmente porque) essas coisas acontecem, e não como elas deveriam acontecer. Mas isso é um papo que se estenderia demais... e enfim.

No próximo post, o planejamento da volta já está quase concluído!!! aguardem!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Ciberespaço parte 2 - por que blogar? por que comaprtilhar?

esses dias tenho tentado orientar minha mãe a colocar pra rodar a blogosfera dela. E durante esse processo surgiram algumas coisas que achei relevante levar a publico aqui.

Primeiro, surge aquela duvida básica: já temos tanta informação e tanta coisa pra fazer no mundo, pra que que eu vou me meter nessa coisa de ficar lendo o blog dos outros? Quando minha mãe me fez essa pergunta por e-mail pensei (não de cara, porque esses pensamentos mais criativos geralmente vem com delay) em quando a gente era pequeno, ainda morávamos na Colômbia e meu pai pensava em comprar um computador. Minha mãe, muito prática (maravilha!), questionou: "pra que ráios eu vou precisar de um computador?" Era uma pergunta dificil de ser respondida na época, e meu pai só conseguiu achar uma resposta do tipo: ah, a gente pode fazer uma lista de supermercado e salvar no computador, pra imprimir quando quiser!

Não quero dizer que os blogs vão revolucionar o mundo como o computador revolucionou, mas certamente a web 2.0 (que são todas essas tecnologias interativas/colaborativas que surgem na net, desde o Google até o Orkut, Youtube, wikipedia, blogs, e mais uma infinidade de coisas) tem provocado mudanças incríveis, ou pelo menos possibilidades concretas e sustentáveis. Acho que essas possibilidades de modo geral podem fazer parte de uma discussão mais ampla, posteriormente. Agora vou me ater ao que eu vejo nos meus primeiros passeios pela blogosfera. Tenho construído primeiro uma lista mais voltada pra notícias, e discussões mais políticas, agora tentando ampliar minha lista pro lado da arte, industria cultural, etc. O blog para o jornalismo, ou o que em alguns casos chama de "jornalismo participativo", é cada vez mais importante. Lembro de algumas notícias de resultados políticos (eleições, projetos, protestos, etc) que foram fortemente provocados ou que mudaram completamente de sentido após manifestações na blogosfera. Mas o fundamental é que na internet é dificil se esconder. Os fatos que cada um publica são duramente confrontados por leitores e outros blogueiros, e acho que isso contradiz muito a imagem que muitos fazem desse tipo de jornalismo, que, como pode ser feito por qualquer um, não pode ser confiável. Acho que o grande mérito da internet é que o que impera é a reputação, e a interatividade faz com que essa reputação seja diariamente testada. Li um post muito interessante no Imprensa Marrom, o cara dando dicas de como fazer uma investigação básica sobre gastos públicos. É legal que essas ferramentas não estão só ao acesso dos jornalistas, mas de quem interessar... e muitos dos dados contestados no jornalismo "oficial" e na blogosfera são constatemente despertados por leitores que decidem ir mais a fundo nas informações... bom, quem quiser exemplos mais especificos, leia o paragrafo abaixo. É meio longo, entao se nao tiver paciencia pode pular, não vai parder o fio da meada...

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Mais especficamente sobre as noticias que venho lendo, cito novamente o trabalho do Luis Nassif sobre a Veja, que a minha mãe observou como sendo o "Diogo Mainardi" ao avesso, contra a Veja. Achei interessante a observação, reconheço que ele as vezes passa do ponto e beira o sensacionalismo e escândalo que o Diogo Mainardi faz (e que cada dia vejo com mais repulsa e nojo, por ser um sensacionalismo bem baixo). Mas o importante é que na blogosfera o Nassif tem a oportunidade de mostrar um documento complexo (bem melhor que uma coluna de revista com um bando de insnuações nem sempre muito bem esclarecidas e/ou articuladas), com links para provas, documentos reais citados, reportagens de outras fontes e tudo mais. A coisa fica bem mais confiavel. Mas é incrivel o poder da internet de busca da verdade. Ocorreu essas semanas que ele, dentro do seu documento, acusou uma reporter da Folha de São Paulo (Janaina Leite), que ficou extremamente indignada e começou a postar uma série de respostas contra o Nassif. A blogosfera começou a se virar, e cada vez mais as pessoas se posicionam a favor da jornalista, dizendo que NESSE PONTO o Luis Nassif pisou na bola. É lógico que o documento dele contra a Veja não fica inteiramente invalidado, ta muito bem costurado, com provas e tal. Mas o que eu quero destacar é que a informação é muito mais confiável, por voce ter a chance de consultar varios lados, pelas pessoas que postam fazerem questão de mostrarem todas as provas e documentos (que tiver um interesse mais profundo que leia o documento, se não cofie no que o jornalista fala), e principalmente que as notícias e os blogs se comunicam, se afetam e se implicam. Outro incidente interessante é o famigerado assunto dos cartões corporativos do governo FHC, que uns falam que é dossiê e outros que é banco de dados. Ai no meio de todas as discussões inflamadas surge a publicação do tal dossiê (no blog do Noblat, aqui) que a Veja e depois a Folha noticiaram mas não publicaram nem o documento nem a fonte e a confiabilidade do mesmo. E depois que todo mundo percebeu que era uma lista praicamente inofensiva de gastos corriqueiros (jantares com personalidades políticas, aluguel de carros, etc) surgiu a pergunta: se a intenção era mesmo chantagear o PSDB, como que eles iam fazer chantagem com uma coisa tão ridícula dessas? Não por isso o caso foi resolvido, ainda tiveram diversas discussões de ambos os lados da moeda, mas esse fato realmente foi bastante marcante e esclarecedor pra muita gente, e direcionou a discussão completamente... coisa que nunca teria acontecido na imprensa, que onde a guerra de interesses e a incrível atração pelo escândalo teriam deixado o conteúdo desse dossiê encoberto por muuuuito mais tempo.
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O segundo ponto quanto à blogosfera, na verdade se aplica à web 2.0 no geral. Minha mãe tem um laptop com Windows Vista, e por algum motivo não conseguiu usar direito o Firefox, deu algum pau então ela usa o Internet Explorer. Acho que é cada vez mais gritante e mais urgente a emergência dos softwares e sistemas abertos no nosso cotidiano... não é uma questão mais de ideologia e utopia hippie-socialista-pédechinelo-barbamalfeita, é uma realidade, destaco, REAL, CONCRETA e SUSTENTÁVEL. YouTube, wikipedia e a blogosfera em geral tão ai como exemplos mais conhecidos, mas existe ainda uma miriade de atividades acontecendo por ai! Mas no caso dos softwares (acho que o Firefox é disparado o software open source mais usado por usuários de Windows), é engraçado ver como as coisas continuam diferentes entre os softwares proprietários (porcos capitalistas!) e os abertos. Mas nesse caso parece que a balança inverteu! Gosto do Firefox não pela ideologia do software livre... mas cada vez mais o Internet Explorer e o Windows Vista se incompatibilizam com a realidade da web 2.0, em comparação com o Firefox e o Linux que são desenvolvidos praticamente em conjunto (e possivelmente pelo mesmo "grupo" de pessoas, que no caso do Linux ultrapassa a casa de dezenas de milhões no mundo todo). A princípio o Firefox tem as mesmas funcionalidades básicas do Internet Explorer. Mas o que o IE não tem é uma infinidade de patches, desenvolvidos pelos desenvolvedores do Firefox e por uma comunidade de programadores, e por quem mais quiser e souber como fazer essas coisas. Esses patches permitem uma comunicação com diversas dessas ferramentas da web 2.0 e outras funcionalidades tambem que as deixam infinitamente mais práticas. Uma delas é que o Firefox pode associar os feeds dos blogs que voce visita com qualquer programa ou agregador na web, inclusive o Google Reader, que é o que eu uso. Essa funcionalidade já vem com o Firefox, não precisa instalar nenhum patch, só ir nas configurações. Agora vou listar tres patches que instalei, e se mostraram bastante uteis porenquanto:

um é uma interface com o Skype, onde os números que o Firefox reconhece como telefones, ele transforma num botão, que ao clicar ele automaticamente faz a ligação pelo Skype. comprei uns créditos no Skype aqui, já que uma ligação local pelo Skype sai pra mim ligeiramente mais barata que o meu celular pré-pago.

outro é uma interface com o del.icio.us, um sistema de bookmarks online. Nele voce guarda os seus bookmarks online, e pode compartilhar ele com amigos. Tenho usado isso com o pessoal da escola nomade, trocando links sobre coisas de filosofia, novas tecnologias e lugares na web, etc.

outro é uma interface entre um site chamado "Remember the Milk" e o Gmail, que é praticamente uma lista de tarefas ("to-do's") virtual. Nunca tinha usado esse sistema, mas esse patch integra essa lista de tarefas direto no Gmail, de modo que do lado dos seus emails voce pode manejar uma listinha de tarefas, com datas e coisa e tal. Extremamente util!!!!

mais uma lista infinita de patches pode ser vista em: https://addons.mozilla.org/en-US/firefox/

bom, vou deixar o ciberespaço um pouco de lado agora, meu próximo post tratará mais do lugar (e redondezas) que habito atualmente no mundo real. Afinal, foi pra isso que eu fiz esse blog! mas, finalizando, outra coisa que canso de ver na blogosfera também é a tendência irresistível da metalinguagem obssesiva. As vezes parece que a blogosfera ocupa a maior parte do seu tempo discutindo a própria blogosfera. Mas acho isso um sintoma comum em outros lugares, e de certa forma saudável, principalmente em um terreno novo, onde as experiências coletivas mais duradouras (aquelas que se solidificam na cultura) estão começando a emergir.

sábado, 12 de abril de 2008

Império, Multidão, Ciberespaço

Meu programa de leitura que venho desenvolvendo aqui está tomando uma forma bastante consistente. Depois de ler o que trouxe do Brasil, entre "O Processo" do Kafka (que não terminei por falta de saco!), um apanhado de artigos do antropólogo Lévi-Strauss, um romance da Clarice (profundamente significativo para o momento), passei a me aventurar por novos (ou nem tão novos) horizontes, tendo também percebido como são baratos os livros aqui. Passei por uma curta fase um pouco mais filosófica, com Assim Falou Zarathustra do Nietzsche e um livro maravilhoso sobre a vida do Espinosa e do Leibniz. Enfim, desemboquei em algo mais concreto, mais político, mas não por isso menos filosófico... pelo contrário!

Terminei há alguns dias atrás o livro Império ("Empire") de Michael Hardt e Antonio Negri, dois estudiosos políticos da imanência, corrente filosófica que eu acompanho desde meus prmeiros contatos com a Escola Nômade.

O livro é impressionante, sólido, atual e muito potente. Busca analisar a trajetória do domínio da civilização ocidental sob a perspectiva da soberania e do colonialismo, passando pela revolução industrial até os dias de hoje, com a revolução tecnológica. Como bons guerreiros que são, os autores também analisam essa história do ponto de vista da multidão, das forças de resistência e libertação que surgem a cada momento que, mesmo sufocadas ou dissipadas pelas mudanças nos meios e formas de dominação que elas mesmo provocam, ainda permanecem como uma constante ameaça à "ordem". Bom a história é longa de mais, mas o mais importante é esse conceito que eles trazem de multidão, como multiplicidade afirmativa de subjetividades, em contraposição com a noção unitária de povo ou massa, necessária para que qualquer poder de controle e disciplina subjugue essa multidão. Esse conceito é melhor explorado no livro "Multidão" ("Multitude"), a continuação do livro Império, que estou lendo nesse momento.

Mas a discussão central no Império mesmo é como os poderes foram se alterando desde o surgimento do capitalismo na época colonial, passando pelas revoluções, independências, guerras mundiais até a primeira guerra do golfo (do Bush pai) e a guerra em Kosovo, época em que o livro foi escrito. A conclusão é de que, com a globalização e o surgimento de novas formas de trabalho e produção, o que se observa é uma quebra relativa da autonomia e soberania dos antigos estados-nações da era moderna, onde todos agora estão sujeitos a uma rede difusa de poder, que pode ser entendida através de diversos mecanismos hoje em dias, das Nações Unidas ao mercado financeiro global à Internet. Mas é justamente na criação dessa rede difusa que vemos as oportunidades para a multidão se constituir e a partir dela mesma construir um regime de produção criativa, desvinculado das dialéticas de poder e apropriação, próprias do capitalismo.

E o melhor é que essa é uma possibilidade bastante real, atual e concreta, apesar do que acreditam muitos que ainda não conseguiram escapar do dualismo da guerra fria, e entendem que qualquer crítica ao capitalismo é automaticamente uma apologia ao comunismo. Muito distante do comunismo, essa nova realidade que se desenvolve diante dos nossos olhos é (ou pelo menos pode ser) justamente a expressão e o produto da multiplicidade da multidão, produzindo através de seus multiplos encontros. É inegáel hoje em dia que os ambientes colaborativos que aparecem no ciberespaço formam cada vez mais formas de produção concretas e funcionais alternativas ao modelo privado-proprietário. Do software livre (onde o Linux é só um de seus componentes) à produção de conhecimento e conteúdo como Wikipedias e Youtubes da vida. Esse é um tema que com certeza mergulharei em mais profundidade nos próximos anos.

Como já havia mencionado, aproveitei os tempos que fiquei por aqui sem emprego para, entre outras atividades, desenvolver um pouco mais minha presença no ciberespaço. Meu primeiro movimento por enquanto foi um mergulho pela blogosfera. Hoje em dia, a blogosfera cresce cada vez mais. Me interesso bastante pela blogosfera que trata de notícias e discussões mais políticas, e ao contrário do que muitos pensam, não é bem aquele caos, aquela zona de pessoas soltando informações e notícias falsas por ai caluniando deus e o mundo. Na verdade, a reputação e a credibilidade são fatores bastante importantes nesse meio, e o confronto direto com o público (e principalmente com os outros blogueiros) exige uma comprovação dos fatos relatados e uma argumentação bastante sólida. Na verdade, é vendo tudo isso que voce comprova o quanto as informações são realmente manipuladas ou mal exploradas pela "mass-media" tradicional (nessa linha recomendo o estudo e investigação sobre a revista Veja, por Luis Nassif, bastante convincente - apesar de que a qualidade atual da discussão na Veja por si só já desqualifica fortemente a revista). É lógico que tendencias partidárias esquizofrênicas (de todos os lados) e interesses econômicos ainda direcionam bastante coisa inclusive no ciberespaço, mas a possibilidade de um confronto direto das discussões e podendo selecionar uma gama variada de fontes possibilitam uma visão bem mais ampla da coisa.

Além disso, um apanhado de blogs de filosofia e arte, blogs de amigos (e irmão) completam o meu mais recente agregador. Agregador? sim. Pra quem ficou curioso, um jeito facil é usar o do próprio Google (www.google.com/reader/), mas existem varios outros sites e programas que fazem o mesmo. Lá voce coloca uma lista de blogs que te interessam e o programa funciona mais ou menos como uma caixa de e-mail, pegando os posts novos que voce ainda não leu. Pra quem se interessou mais ainda, pode dar uma olhada nos meus Shared Posts, posts dos blogs que eu leio que mais me interessaram e merecem destaque: http://www.google.com/reader/shared/15033605502915701907 Pode inclusive colocar essa milha lista como no seu Reader pra receber os posts que eu destaco.

Interessou mais ainda? Fazer uma lista legal de blogs bons é algo que demora um tempo, mas como um blog acaba citando outros (seja positivamente ou negativamente), ta ai o canal pra aumentar a sua lista. Por enquanto, posso dar algumas sugestões:

Blog do Luis Nassif - critica ferozmente a Veja e de vez em quando a Folha, faz comentarios pertinentes quanto a economia e política, apesar de muitos acusarem ele de ser um tanto governista.

Imprensa Marrom - gostei desse aqui. O cara faz comentários muito bons, desconstruindo as notícias. Não tem medo nem em criticar nem em apoiar o governo.

Na Periferia do Império e O Exército de Blogoleone - boa variedade de notícias, Brasil e mundo.

Blog do Sérgio Amadeu - um dos mais destacados estudiosos do ciberespaço, cultura livre, colaborativismo e enfim. Muito bom mesmo

Usina Grupo de Estudos - grupo de estudos de filosofia e política, do qual participam alguns membros da Escola Nômade

O Hermenauta - Discussões políticas interessantes (e as vezes divertidas)

Agenda Cultural São Paulo - dicas de programas culturais interessantes pra fazer em São Paulo. Apesar de pouco movimentado, o conteúdo é bastante útil.

domingo, 6 de abril de 2008

Bloody English Weather (parte 2)

A primavera por aqui esta cada vez mais presente. Muitas arvores ja floriram, e tambem ja comecam a mostrar algum verde. A temperatura está mais amena (graças a deus!), mas é lógico que ainda falta muito pra chegar no meu padrão de confortável (bota uns 25 graus ai pra cima).

Além disso, o trabalho já começou, e começou bem puxado. O restaurante está fazendo um grande sucesso aqui na região, o que significa mais correria pra a gente. Logo mais escreverei um post mais detalhado sobre o trampo.

O que eu quero destacar agora, é que, com essa primavera ai, as coisas começaram a ficar mais alegrinhas, pessoas saind ona rua e tal... hehe. Por outro lado, já tinha desistido há um bom tempo de ver alguma neve por aqui. Quando cheguei, no inverno, fazia um frio do cão mas não caiu nem um floquinho. Há alguams semanas atrás, nevou bem pouco, a noite, enquanto estava visitando um pessoal da bateria que conheci. Mas nem chegou a juntar nada no chão, muito miserável. Acontece que hoje, entrei no trabalho às 12h00. Acordei umas 10h30, com muita preguiça, já que o Sábado havia sido bem puxado. Ainda na cama olhei para a janela do meu quarto, que fica logo em cima. O céu tava bem azul, sol forte (lógico que sem muito calor, né!). Me animou um pouquinho, até que eu levantei da cama e olhei pela janela:



Agora sim! acho que recuperou uma boa energia, só de olhar pra essa paisagem, pra mim, surreal! ainda bem que ainda deu um tempinho pra andar na neve (tinha uns 10cm de espessura no gramado de casa!!!), fazer bolinha de neve e tal, antes de ir pro trampo.

Mais vistas da janela do carro e da rua na frente de casa:





No caminho, passei num parque grande e aberto que tem aqui em casa. a vista era tão branca, que até doiam os olhos! também o céu tava limpíssimo!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

caminhando e cantando

Falando sobre minhas experiências musicais por aqui... trouxe o violão para a viagem muito mais como companheiro de aventura e solidão, inseparável! E é lógico que pretendia ganhar uns troquinhos por aqui, dependendo das oportunidades que apareceriam. Bom, no início procurei alguns lugares pra tocar, mas logo vi que - óbivio - se eu pretendia tocar em algum lugar decente teria que montar algum projeto um pouco mais profissa, e acho que o mais essencial seria alguma trajetória prévia no Brasil. Arranjei algumas apresentações em restaurantes por aqui, que me renderam uma ajudinha financeira, mas envolvendo por outro lado condições de estrutura e, principalmente, público muito longe do ideal. Decidi por não esperar muito de apresentações musicais por aqui, e também, pelo modo como essas duas coisas (projeto e apresentações em restaurantes) me afetaram aqui, me vejo numa posição muito limite em relação à minha música. Vejo em minhas mãos a capacidade e possibilidade de montar algo mais concreto, e ao mesmo tempo sinto a necessidade de certas exigências técnicas e um cuidado maior de como e onde apresentar minha música. É lógico que essa situação limite já está bastante presente em minha vida ha algum tempo, por exemplo com a Maraca Manca. Estamos chegando na zona de arrebentação entre a praia do amador e o alto mar do profissional, e aqui senti que também posso me aproximar disso no meu projeto João Gilberto. Então já to passando a parafina na prancha, pronto pra entrar no mar! espero que o pessoal da Maraca também esteja fazendo isso por ai.

Bom, mesmo assim, não demorei muito desde que me estabeleci em Oxford em começar minhas incursões pela comunidade musical local e, de forma paralela e complementar, pela comunidade brasileira também. Começando pelo professor do meu curso que me indicou alguns contatos que poderia fazer... e de contato em contato vejo se formando agora alguns grupos ai.

Fazendo um parêntesis relevante... nos meus últimos anos, na verdade creio que desde os primeiros anos de Poli, tenho desenvolvido um modo de vida social meio nômade, pairando por diversos grupos aqui e ali, e logicamente sempre apreciando também a companhia inestimável da solidão, que acho que já está implícita nesse processo de trânsito constante entre grupos. Pois é, ao me estabelecer aqui em Oxford, procurei me interar dos programas da cidade, principalmente aqueles mais escondidinhos e menos frequentados, que têm mais chances de serem bastante interessantes. E não é que eu começo agora a formar alguns grupos pelos quais tenho navegado!

Primeiro, conheci algumas pessoas que organizam shows aqui em Oxford e nas redondezas. Foi bastante interessante inclusive como "pesquisa de campo" para o meu curso, que por sinal está quase acabando, só mais uma unidade daqui a umas semanas. Mesmo assim, acabei, através de uma dessas pessoas, parando num "open mic night" muito bacana, organizado por um desses produtores ai que conheci. O Catweasel Club, como é chamado o evento, ocorre todas as quintas num Comunity Center, nao muito longe aqui de casa. Acho que o melhor é a atmosfera do lugar, um sarau muito do interessante, com pessoas lendo poesias, e a maioria cantando coisas de folk com as misturas diversas. Cada um tem 10 minutos ou duas músicas pra apresentar alguma coisa por noite. Achei um espaço muito bom, e começo a me enturmar com o pessoal de lá, muitos ingleses que pra mim parecem ex-hippies, ex-socialistas ou coisas do genero.. . enfim, pessoas das mais interessantes de se conviver.

Depois, fiquei sabendo que ocorrerá um carnaval aqui no início de Julho. Lógico que não perdi tempo em procurar por aqui um bloco de samba pra tocar! O Sol Samba, creio que a única bateria de samba aqui de Oxford (Em Londres ouvi falar que tem algumass). é um povo muito interessante também. Com o perfil de maioria não músicos, mas muito empolgados, me lembrou muito a Histeria, bateria de coração la da Psico... me senti em casa, né. É lógico que a qualidade do samba está longe de uma bateria brasileira, profissa e tal, mas mesmo assim é um bom divertimento.

De resto, os outros dois grupos que poderiam participar de alguma forma da minha passada por aqui ainda não deram muitos frutos... to me dando bem com o pessoal de casa, mas acho que não temos muito a ver em relação a papo, sair e tal. De qualqer jeito, semana que vem vai rolar uma festinha aqui, então veremos aonde vai dar! E o Beto (primo) não tem se manifestado muito, às vezes conversamos rapidamente entre um cliente e outro lá no Starbucks onde ele trabalha. ah, e além disso, agora com o trampo iniciado abre-se um novo grupo! aguardem notícias!

Mas antes, o próximo capítulo será sobre as minhas andanças pelo mundo virtual, enquanto esperava pelo emprego, que demorou mas chegou com tudo agora! é nois!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Bloody English Weather + Bath & Stonehenge

Parece que a primavera chegou para ficar. Pelo menos é o que dizem... ontem foi o equinócio de Primavera, o que indica (pra mim pelo menos) que estamos a meio caminho para o verão.. finalmente!!! Porém, o tempo aqui não parece tão amigável quanto o som promissor da palavra "primavera". O frio diminuiu um pouco, mas continua intenso e constante, para a minha desgraça. Agora o que marcou essas ultimas semanas foi um vento cabuloso e uma chuva infeliz. Não é chuva de verdade, mas uma garoinha fria e fina que se estende por dias a fio. Quando a garoa da uma trégua, vem o vento, desses que sopram em todas as direções possíveis, e fazem um simples passeio de bicicleta nua rua plana me sentir como aquele cara de Bicicletas de Belleville.

Porém, num sopro de glória da poderosa mãe natureza (e da BBC Weather também), consegui prever uma pequena janela nesse tempo miserável. Entre terça e quarta abriria um solzinho, então aproveitei essa boiada e o trampo que não começou ainda pra sair um pouco de casa e explorar um pouco mais essa ilha na qual me encontro. E o resultado foi sensacional!

Na segunda de manha, peguei o ônibus. Não queria ir muito longe, por motivos econômicos, então escolhi a pequena cidade de Bath, no sudoeste. Ja tinha ouvido falar da cidade (principalmente pelo professor do meu curso, que mora nessas redondezas), principalmente sober as influências romanas, com um banho romano que havia por la. Decidi conferir.

A cidade é pequena (menor que Oxford), mas muito aconhegante. Às margens do rio Avon (o mesmo da cidade do Shakespeare, que fica bem mais ao norte), o terreno é um pouco acidentado, com várias ladeiras, o que em troca de um esforço maior na locomoção nos presenteia com pontos privilegiados para apreciar a paisagem. No primeiro dia, visitei os tais banhos romanos. Não tinha a exata noção de que o império romano haveria se extendido até a inglaterra. Ainda assim, parecia que a cidade de Bath foi uma vila bastante importante, tanto pela sua posição geográfica estratégica quanto pela existência de uma nascente de águas termais. Essa termal deu origem a um complexo lúdico-esportivo-higiênico-medicinal-religioso bastante importante, e visitado por milhões de peregrinos vindos de diversas partes do império. A nascente foi atribuída aos poderes da deusa Minerva, e teria propriedades curativas miraculosas. Nos banhos, diversas atividades, desde academias (palestras), salas de massagem, sauna a vapor, banhos própriamente ditos e piscinas onde, no meio de todas essas atividades, as pessoas se reuniam para socializar. É claro que, com a derrubada do império romano e o domínio dos normandos e bretãos na região, que não eram lá muito chegados nessa coisa de higiene, os banhos foram esquecidos, templos saqueados, e o lugar foi sendo soterrado e outras coisas construídas em cima. Até que o lugar foi redescoberto nos idos do século XIX (acho), e o lugar foi restaurado e recuperado. Apesar disso, metade do complexo que forma os banhos ainda está inexplorado, debaixo de casa e outras construções da cidade. Mas o mais impressionante de tudo é a engenhosidade dos romanos. Isso sim é que era engenharia. Os sistemas de drenagem e canais da nascente para as piscinas e para outras partes, construídos a 2 mil anos, funcionam perfeitamente até hoje.

Quando cheguei a cidade também, uma conveniente e feliz surpresa. Descobri que de Bath saíam passeios para Stonehenge. Como esse era um lugar que certamente estava entre as minhas prioridades de visita nessa viagem, achei que essa seria a oportunidade perfeita. No segundo dia, fui à expedição. O lugar é mágico, uma planície muito bonita (e hoje em dia extensamente povoada por ovelhas). Não era permitido entrar dentro do Stonehenge, tive que me contentar com um caminhozinho de cimento que rodeava o lugar, e o audioguide que vinha no pacote da entrada ao sítio. Vendo o monumento, continuo me apegando à teoria de que deve haver alguma interferencia de ETs para a construção de uma coisa tão inusitada e megalomaniaca. O que resta hoje em dia, pelo que dizem, é cerca de 40% do monumento original, que devia ser impressionante, pela sua geometria e composição com a paisagem local. De qualquer jeito, um passeio que vale a pena, apesar de muitos não acharem a menor graça em ver m bando de pedras tortas empilhadas.

As fotos podem ser conferidas no Flickr:
http://www.flickr.com/photos/familiapincherle/sets/72157604172500170/

Ainda estou devendo um post sobre a minha socialização com os nativos Oxfordenses, a comuna brasileira, e minhas experiências musicais e virtuais (aspectos muitas vezes coincidentes e alinhados). Cenas do próximo capítulo...

domingo, 9 de março de 2008

ler e cozinhar

Bom, assegurado um trabalho (que começará semana que vem, já que o restaurante ainda nao abriu), esses dias creio que estou passando talvez pela fase mais aguda do meu "retiro espiritual/intelectual", coisa que já imaginei desde antes de embarcar na viagem. Enquanto a rede de contatos que eu formo não toma corpo nem inércia, tenho passado bastante tempo sozinho. O pessoal da casa é muito simpatico, mas também nada invasivo.. pelo contrário, reina muito mais o "cada um na sua" por aqui, o que não é nada mau, apesar de não rolar muita interação ou programas interessantes. O Beto também não da muito as caras. Mas, quem me conhece sabe que essa solidão não é de nenhum modo triste. Aproveito esses tempos de calmaria pra botar as idéias e os sentidos em ordem. Duas coisas que eu tenho feito bastante aqui em casa: ler e cozinhar.

Até pouco tempo depois de ter mudado para a casa, já tinha lido quase todos os livros que trouxe na viagem... o que não li foi porque descobri que não me interessava tanto. Mas aproveitando que os livros são mega baratos por aqui e que eu tenho tempo e vontade pra isso, devorei "Assim falou Zarathustra" do Nietzsche (que comprei pelo incrivel valor de GBP 3,99) em pouco mais de uma semana. Estou agora da metade para o fim de um outro livro sobre a vida do filósofo Espinosa e do Leibniz. E a lista de livros cresce enquanto visito as livrarias daqui e vagueio pela internet. A próxima parada agora é deixar a filosofia pura de lado e explorar um pouco pensamentos mais contemporâneos, principalmente ligados a colaborativismos, ciberespaço e por ai vai. Acho que tudo isso pode se compor muito bem com os rumos que estou tomando de pensamento e ação, mesmo antes dessa viagem. De fato, vejo essa viagem não como uma quebra, uma experiência totalmente inovadora na minha vida, e sim como uma concretização e uma potencialização de diversas mudanças que já se iniciavam bem antes. Mas essa discussão deixarei mais pro fim da viagem, quando estiver em melhor posição para avaliar minhas experiências por aqui, que mal começaram.

Sobre cozinhar, o mais extraordinário é o fato de que a casa tem fogão a gás!!! Ja me desentendi muito com os fogões elétricos que encontrei pelos albergues por aqui, fiquei muito feliz de ter a possibilidade de cozinhar decentemente quando cheguei na casa. Tenho me especializado bastante misturas. Brinco até comigo mesmo de abrir um restaurante onde os praos são grandes misturas. Os nomes dos pratos seriam determinados de acordo com a origem e a combinação dos elementos, como "mechidão" (brasileiro), "soborô" (oriental), "le górórobe" (frances), "grude da mama" (italiano) e dai pra baixo! Bom, de modo geral as misturas que eu faço (muitas sem nacionalidade definida) saem muito boas, modéstia a parte!

Bom, fico devendo mais um post, sobre minhas experiencias musicais por aqui, o que está ligado aos meus avanços na comunidade brasileira também. Cenas do próximo capítulo...

"neg - ócio"

depois de muuuito tempo, consegui organizar minha cabeça pra escrever de novo aqui. Muitas coisas ja aconteceram desde meu último post, mas também em outros sentidos as coisas estão bem paradas por aqui. Vou separar o post em dois, pra ficar mais light pra quem não tem muita paciencia pra ler coisas grandes (como eu!)

Não imaginei que a caça por trabalho fosse ser tão dificil o quanto no fim foi. Fiquei mais ou menos duas semanas, entre contatos na internet e corridas pela cidade entregando currículos, me perguntando se o problema estava no meu currículo ou na cidade mesmo. Ainda não cheguei a uma conclusão, mas talvez um pouco dos dois. Talvez porque eu sou sincero demais em entrevistas, talvez porque meu currículo é recheado de coisas interessantes mas nenhuma experiência com bar e restaurante... em suma, duas semanas de correrias aparentemente infrutíferas.

Minha segunda entrevista, já no dia 28 de Fevereiro (quando por sinal completei um mês de estadia na Europa), ocorreu semm sequer entregar nenhum currículo. Era um anúncio na internet a procura de brasileiros que falam inglês para um novo restaurante brasileiro que vai abrir aqui. A mulher que me entrevistou me adorou, disse a ela que pretendia trabalhar full-time (Acho melhor trabalhar bastante agora pra juntar uma grana e depois viajar mais pro meio do ano. Concentra melhor as atividades). A partir dessa entrevista então passei a me interessar mais pela rede de brasileiros aqui de Oxford, que parece bem grandinha... estou aos poucos encontrando meus caminhos agora nesse networking, que detalharei melhor a seguir. O que quero deixar de resumo da ópera aqui é que o poder e a sinceridade do networking e do sub-mundo pra mim sempre foram muito mais forte do que o mundinho de pessoas responsáveis e trabalhadoras. Não que eu tenha entrado no sub-mundo aqui pra conseguir esse trabalho, mas agora vejo que se eu tivesse ido pelo caminho de formar uma rede de contatos o trabalho poderia ter saído bem mais facil, ao invés de anonimamente colocar toda minha confiança no quão bom ator e bom escritor sobre a minha vida eu posso ser pra vender o meu corpo e a minha energia. Mas, é tropeçando que se aprende a caminhar né. E as vezes voce precisa tropeçar varias vezes no mesmo buraco.

Próximos posts: solidão x comunidade. O melhor dos dois

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Depois de um arrastado periodo de duvidas quanto ao meu paradeira aqui na Inglaterra,voltei para Oxford. Ainda nao estava certo de onde eu iria ficar, Londres ou Oxford, ambos possuem pros e contras muito significativos. Londre e maior, mais gente e mais coisa acontecendo, enquanto Oxford e menor, porem mais barato e mais calmo de se morar.

Foi quando finalmente encontrei o Beto, meu primo (um pouco distante) que, so depois de ter cehgado na Inglaterra, descobri que ele estava morando e estudando aqui em Oxford. Ele trabalha na Starbucks, e depois de seu turno fui encontra-lo. Fomos a casa de uns amigos dele, a galera se dividia entre homens brasileiros e mulheres francesas ou suicas (que falam frances de qquer jeito). A noite teoricamente era de comida brasileira, no caso um churrasco! Mas com o frio dos melhores dias de Campos do Jordao (ou piores, depende do ponto de vista) e um carvao duro e umido, tivemos uma experiencia deveras decepcionante. Quase meio litro de gasolina (nao tinha alcool na casa) e um secador de cabelo pra assoprar o fogo quase nao foram suficientes. No fim da noite, o resultado foram meia duzia de asinhas de frango, enquanto as meninas fritaram o resto das linguicas na frigideira! Bom, apesar do fracasso retumbante, foi bom fazer um programa um pouco diferente... decidi ficar em Oxford mesmo, mesmo que disse a mim mesmo que preferiria nao ficar numa casa cheio de brasileiros. Encontrei uma casa ha alguns dias perto da Universidade onde e o meu curso. A casa tem duas inglesas, uma irlandesa e um ingles, todos muito simpaticos. Mudo pra la nos proximos dias.

Sobre trabalho ainda nada por vista. Estando mais estabelecido porem posso concentrar melhor meus esforcos e intensificar (e diversificar tambem) a busca. Mas estou achando lugares pra tocar violao mais facil que um trabalho fixo! Essa semana tive sorte. Na terca passei num restaurante, e a banda de jazz que tocaria la no Valentines Day (hoje) tinha acabado de furar com eles. Consegui uma "gig" la, e por £100 a noite! Nesse momento acabei de voltar de la, muito bom e o restaurante muito bonito. Fica numa igreja antiga que foi desativada. O outro bar que toquei na sexta passada vai marcar comigo tambem alguns almocos de domingo... bom, estou manejando as duas coisas em paralelo, trabalho fixo e tocar em lugares. Veremos... depois que as coisas se assentarem por aqui verei o rumo que as coisas tomam e mando mais noticias!

ate la!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Mind the Gap

depois de um bom tempo sem escrever aqui, me animei de novo a relatar mais um pouco sobre a viagem. Ainda esta tudo um tanto incerto quanto ao lugar que eu vou ficar em definitivo (se eh Londres ou Oxford) e principalmente quanto a trabalho, mas imagino que as coisas se resolvam ate o fim da semana que vem.

essa primeira semana em Londres foi bastante interessante, varias caminhadas e descobertas, principalmente sobre essa frase, "mind the gap" que todo mundo fala de Londres mas nunca soube exatamente o que significava. Trata-se de uma voz do alem que preenche o seu subconciente enquanto voce esta no metro, teoricamente para evitar que voce caia no espaco entre a plataforma e o trem. De qualquer forma, eh muito caracteristico. Mas coloquei essa frase no titulo do post tambem por outros motivos... alem do tempo que fiquei sem escrever aqui e do gap que estou metido enquanto nao me fixo em algum lugar, lembrei esses dias do blog do meu irmao, e como era divertido ler sobre suas experiencias (das mais corriqueiras as mais profundas) enquanto ele estava na Inglaterra. Li um post recente onde ele cita meu blog, e com um misto de inveja e admiracao deseja estar no meu lugar na Inglaterra que ele tanto gostou. Creio que esse misto de inveja e admiracao, de uma forma muito saudavel, eu tambem sinto pelo jeito que ele escreve.

Bom, vou entao contar algo sobre as figuras que encontro pelo caminho por aqui, quem sabe isso refresque um pouco as coisas. Acho que saindo do seu ambiente cotidiano eh possivel prestar mais atencao as historias e trajetorias que se cruzam. Esse exercicio deve ser feito por todo mundo, mesmo ai em casa... ver que existem infinitas historias de vida e trajetorias que se cruzam no mundo faz voce assumir a sua, e fazer dela uma coisa singular, ao inves de ficar preso em falsos problemas como a velha duvida que sempre aparece de "sera que estou no caminho certo?". Nesse curto periodo da viagem ate agora tive a oportunidade de cruzar com algumas figuras, que ilustro abaixo (a maioria eu nao sei o nome, sou pessimo com nomes e dependendo do pais o mesmo eh impronunciavel!):

- Eduardo: um argentino, advogado (mas gente boa, pena que era advogado...). Envontrei ele em Oxford enquanto estava fazendo o curso. Tinha se formado ha alguns anos e estava fazendo um mega mochilao pela Europa. Gostava muito da Inglaterra, entao visitou e ia visitar ainda muitos outros lugares aqui, lugares que eu nunca imaginei que fossem interessantes, ja que a Inglaterra nunca me despertou muitas curiosidades. Tivemos boas conversas sobre historia, por ser latinoamericano tambe, compartilhamos de alguns sentimentos de como as coisas aqui sao antigas e cheias de historia, ao passo que na america as coisas chegaram ja prontas, por isso muitas vezes nao entendemos e nao nos damos muito bem com essa coisa de civilizacao... ele me deu a ideia de ir para Manchester, um lugar que deve ser igualmente grotesco, impressionante e maravilhoso. La foi o berco da revolucao industrial, falam que o lugar eh ateh meio feio, cheio de fabricas e tal.. mas deve ser uma experiencia interessante no nivel antropologico e historico.

- um cara de Hong Kong, bem jovem e muito solicito e bonzinho... ou seja, bem nerd. Veio para Oxford pois estava fazendo entrevistas para entrar em uma Universidade aqui ou em Cambridge. Queria estudar neurociencia! muito caricato de asiaticos vindo estudar no ocidente... se nao eh neurociencia seria fisica nuclear ou qualquer coisa do tipo!

- um velho escoces, meio rabugento (esse albergue de Oxford ateh que tem bastante gente velha, surpreendentemente), veio de Glasgow e ia para Bristol visitar sua sobrinha. Tinha um daqueles sotaques que voce mal entende o que ele fala, vestia sempre camisas xadrez.. muito caricato tambem

- um Holandes (isso ja em Londres), tinha uns 24 anos e tinha se formado em geografia. Estava fazendo um curso em Londres que o prepararia pra seu projeto de doutorado que ia fazer estudando as formacoes de geleiras no polo norte (coragem, hein!). Conversamos bastante, um cara muito inteligente, antenado nas coisas do mundo e da Europa... me fez pensar muitas coisas dos problemas que eles enfrentam na Europa, e tambem como os holandeses sao como seres evoluidos, no bom sentido, pricipalmente porque eles acreditam que a vida deve ser algo praseroso, onde as pessoas se divirtam mais do que se estressam. Eh uma ideia bastante simples, mas praticamente impossivel de acontecer no continente americano.

- um belga que, junto com o holandes, saimos alguns dias em Londres. Ele estava em Londres fazendo parte do seu mestrado em historia. Conversamos bastante sobre as guerras (que era o tema do seu mestrado, a Belgica na segunda guerra mundial) e coisas de politica e tal. Engracado tambem que holandeses e belgas tem uma rivalidade saudavel, entao eles ficavam se zuando o tempo todo... divertido

- um marroquino, que vivia na Espanha. Como eu era o unico que falava espanhol no quarto de Londres, e ele nao falava ingles, conversamos bastante tambem. Tinha vindo aqui meio que brigado com a familia, sem grana e tal... mas meio brusco, orgulhoso... um tipo interessante (meio mala, mas interessante).

Esses foram os mais marcantes ate agora... proximo capitulo: minha volta a Oxford, encontro com o Beto (primo) e coisas se estabelecendo!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Arts Management - Unit 1

O primeiro modulo do curso acabou e foi bastante interessantee produtivo. Apesar de estar em um contexto bastante diferente da arte no Brasil, acho que muita coisa eh bem utilizavel. Nessa primeira parte, o que ficou pra mim sao algumas ferramentas e checklists bem basicas mas uteis, que ajudam a definir e delimitar o conceito de uma organizacao ligada as artes. Ao mesmo tempo, podem tambem dar boas ideias para tornar um projeto mais consistente ou ate pensar em novos projetos.

Por enquanto, quero jogar aqui algumas diferencas que tenho percebidoentre o contexto das artes aqui e no Brasil.. Apenas primeiras impressoes, que espero vivenciar e digerir melhor nos proximos dias.
As pessoas aqui costumam se interessar pela arte como arte mesmo (nao diga!), e nao como forma de entretenimento e lazer como muitas vezes vemos ai no Brasil. Acho que de modo geral o ambiente ajudo muito. Estar rodeado de referencias e realmente pisando nos lugares ondes as coisas aconteceram a decadas, seculos, milenios... realmente faz qualquer um refletir um pouco mais sobre isso. Pelo menos deveria. Alem disso, a nocao de arte como educacao, informacao e inclusao eh bem diferente da nossa. A questao aqui esta muito ligada na inclusao das varias etnias que convivem na Europa, mas dificilmente se misturam, e eventualmente entram em conflito. Aqui se busca a tolerancia, o que a meu ver eh uma posicao um tanto mediocre, porem necessaria de certa forma. Nesse ponto, pelo menos, acho que levamos vantagem. No Brasil vejo que ha muito mais espaco para a miscigenacao, onde as culturas realmente se mesclam. No Brasil todos sao brasileiros, enquanto que na Europa os turcos, arabes, asiaticos e ateh latinos normalmente nao se consideram europeus, mesmo depois de varias geracoes. Mas a nossa questao de inclusao esta focado no social, no acesso a educacao e ao pensamento critico, que na minha opiniao eh bem "menos impossivel" de se superar.

Bom, agora algumas referencias retiradas do curso que podem servir para diferentes amigos que acompanham (eu espero) esse blog:

BYRNES, William J. Management and the Arts. 2003 - livro sobre Arts Management, mas com uma perspectiva da realidade norte americana.

www.audienceslondon.co.uk
www.audiencedevelopment.org
www.newaudiences.org.uk
- empresas/organizacoes especializadas em formar e informar audiencias para um grande numero de galerias, teatros, casas de espetaculo, etc. Parece um negocio bastante interessante. Sera que daria certo em SP?

www.eamp.eu - European Arts Management Program. Programa do qual o professor do curso participa. Parece que eles organizam, ou pretendem organizar, cursos desse tipo em varios lugares da Europa. Ele falou que eles tem um contato com uma Universidade ou coisa do tipo na Italia tambem (viu Pedro!). O site ainda ta meio em construcao, mas pelo que o prof disse ateh o meio do ano ja ta totalmente funcional.

PAYNTER, John. Sound and Silence
PAYNTER, John. Sound and Structure - livros sobre musica e educacao

ODIE, ALLAN. Artists in Schools. London - Ofsted. 1998
SHARP, DUST. Artists and Schools. London - NFER. 1982
CALOUSTE GULBENKIAN FOUNDATION. The Arts in Schools - Principles, Practice and Provision. 1982
www.creative-partnerships.com
www.daisi.org.uk
- bibliografia sobre programas de Arte nas escolas britanicas. Os sites sao organizacoes que realizam projetos ligados a arte em escolas (Lali e demais psicologos de plantao!)


Cenas dos proximos capitulos: Londres, Big Ben e Fish'n'chips!

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Oxford #1

Bom, vou contar a historia desde o comeco pra facilitar. Muito coisa ja aconteceu desde entao, mas assim que tiver tempo eu coloco.

No meu primeiro dia em Oxford (depois da chegada, no fim da tarde), andei a cidade inteira. Ja tinha sacado a organizacao geral das ruas no dia anterior, entao foi mais facil nao se perder. A principio, Oxford parece uma cidade de interior qualquer: uma rua que vai, outra que vem, e as travessas. A unica diferenca eh que nao tem uma igreja com bobodromo, mas varias! AS universidadeS em oxford sao organizadas em colleges, predios monumentais. Sao construcoes mega antigas (creio que os primeiros foram fundados no sec XVI) com portas gigantes de madeira com brasoes em cima delas. Nao visitei nenhuma ainda, muitas cobram entrada (£1) so pra ver um patio! Talvez a mais importante, a Christ Church College, ocupa o maior quarteirao da cidade. La estudou o famoso Lewis Caroll, e a college tem uma sala de jantar que serviu de inspiracao para a sala de jantar de Hogwarts, do Harry Potter! A entrada pra essa eh mais salgada, £4.50, mas deve valer a pena.

Nas minhas caminhadas, tentei tambem ir a universidade onde sera o meu curso (que nao eh uma college, mas um predio mais moderno, fora do centro historico), e descobri que fica literalmente do outro lado da cidade. Resultado: 1h15 de caminhada. Na volta, passei pelo jardim botanico, que deve ser lindissimo na primavera. Por enquanto, soh um monte de gravetos secos e folhas murchas. Mas o que ainda assim me chamou a atencao foram algumas arvores gigantes, plantadas por volta de 1500.

De quebra, passei tambem no Museum of Oxford, que conta a historia da cidade. Bem legal. Um dos fatos mais destacados - alem dos ilustres estudantes como Lewis Caroll, J R R Tolkien (Senhor dos Aneis), Stephen Hawkin e muitos dos 1os ministros britanicos inclusive o Tony Blair - eh o causo da condenacao de 3 padres ah fogueira por heresia no reinado na rainha "Bloody" Mary.

Bom, parece que tem muito mais pra ver em Oxford do que eu imaginava, muitos museus e casa de show tambem. Sabado vou pra Londres, tentar ajeitar as coisas por la, e espero rodar mais dias em Oxford depois. Ainda nao decidi por completo onde vou ficar, se arranjar algo aqui em Oxford fico por aqui mesmo.

Bom, tem muito mais pra contar, mas fica pro proximo post!

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Observacoes rapidas

- os teclados nao tem acento!!! (acho que todo mundo que viaja pra ca diz isso)

- e muito estranho as pessoas dirigirem na contramao! influencia ate o jeito que as pessoas andam na rua, sobem as escadas, etc! e pra atravessar a rua eh um sufoco. Ainda bem que eles respeitam minimamente o pedestre. Se nao ja teria sido atropelado. Fora que sempre eu acho q o gasparzinho esta dirigindo um carro, com uma pessoa no banco do passageiro) (todo mundo que vem pra inglaterra tambem diz isso, mas eh uma experiencia bizarra pra todo mundo)

- ontem (antes do curso comecar, ainda bem) descobri que a universidade onde eh o meu curso fica do outro lado da cidade. Tentei ir andando, mas a caminhada dura 1h15, com direito a uma subidinha cruel no final. Mais facil ir de onibus. Talvez compre ou alugue uma bicicleta mais tarde.

- minha camera de fotografia parece que nao funciona. Espero que seja a pilha (troquei ela antes de viajar, mas...) Assim que tiver isso resolvido vou tirar umas fotos legais que pensei e postar aqui.

- o primeiro item da lista de coisas que eu esqueci de trazer: caderno e caneta! preciso deles para o curso e para organizar os pensamentos para os proximos posts, ja que a hora (ou meia hora) de internet eh valiosa aqui, vale quase o preco de um kebab.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Chegada

Fala pessoas,

depois de umas 3 ou 4 voltas perto do aeroporto, o aviao finalmente pousou em Londres, com um pouquinho de atraso, nada de mais. Peguei um onibus pra Oxford, onde ja tinha reservado o hostel ate o fim da semana. Foi meio complicado de achar o hostel, mas as indicacoes de um logista com sotaque arabe me pareceram mais claras que as indicacoes que recebi de um guarda local. To vendo que o sotaque ingles vai ser um pouco dificild e se acostumar.

bom, finalmente instalado em Oxford, consegui ate dar uma volta pela cidade, apesar de ja estar tudo escuro (17h00 ja ta de noite). Foi bom pra pelo menos me situar um pouco e identificar alguns lugares estrategicos: um mercado pra comprar comida e cozinhar no hostel, um outro hostel mais barato (que sera muito util nos outros periodos do curso) e uma duzia de casas de sanduiches. Tambem avistei o castelo de Oxford que parece estar aberto a vizitacao - vou ver amanha se consigo entrar. Ve-se que a estrutura do castelo eh visivelmente mais antiga do que as construcoes vizinhas que devem fazer parte da universidade e que ja sao muito antigas tambem. Enfim, a parte da cidade onde parece que ficam os predios da universidade tem aquele aspecto de castelo mesmo, com portas gigantes de madeira e tudo. Ainda nao sei como visitar por dentro a Universidade, mas amanha tentarei descobrir. Detalhe: o curso que eu vou fazer nao e na Universidade de Oxford, mas em outra universidade menor. Parece que a cidade tem milhares de Universidades e Colleges.

o tempo aqui ta acabando, e de qualquer jeito darei mais detalhes um pouco mais adiante, quando conseguir explorar a cidade com a luz do dia.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Preparativos

Com seus pássaros
Ou a lembrança dos seus pássaros
Com seus filhos
Ou a lembrança dos seus filhos
Com seu povo
Ou a lembrança de seu povo
Todos emigram

De uma pátria a outra do templo
De uma praia a outra do atlântico
De uma serra a outra das cordilheiras
Todos emigram

Para o corpo de Berenice
Ou o coração Wall Street
Para o ultimo tempo
Ou a primeira dose de tóxico
Para dentro de si
Ou para todos
Para dentro de si
Ou para todos
Pra sempre todos emigram


Fala pessoas! Então, fiz esse blog para a viagem. É mais facil escrever aqui do que ficar mandando e-mail pra todo mundo!

Estou nos preparativos finais... roupas, documentos, livros, violão... e o mais importante, me articulando para aproveitar ao máximo, e que essa viagem possa interferir (no sentido positivo, sempre) também nas atividades que deixo para trás aqui!

Pra quem não sabe, viajo no Domingo (27). Chego em London na segunda a tarde e o curso em Oxford já começa na quarta, dia 30. E pra quem também não sabe o que eu vou fazer lá exatamente: http://ah.brookes.ac.uk/artsadmin/shortcourses/
Assim que o curso for acontecendo eu coloco aqui minhas impressões e, se possível, algum material.

Bom, espero mandar a próxima notícia já do outro lado do Atlântico!

até