Bom, assegurado um trabalho (que começará semana que vem, já que o restaurante ainda nao abriu), esses dias creio que estou passando talvez pela fase mais aguda do meu "retiro espiritual/intelectual", coisa que já imaginei desde antes de embarcar na viagem. Enquanto a rede de contatos que eu formo não toma corpo nem inércia, tenho passado bastante tempo sozinho. O pessoal da casa é muito simpatico, mas também nada invasivo.. pelo contrário, reina muito mais o "cada um na sua" por aqui, o que não é nada mau, apesar de não rolar muita interação ou programas interessantes. O Beto também não da muito as caras. Mas, quem me conhece sabe que essa solidão não é de nenhum modo triste. Aproveito esses tempos de calmaria pra botar as idéias e os sentidos em ordem. Duas coisas que eu tenho feito bastante aqui em casa: ler e cozinhar.
Até pouco tempo depois de ter mudado para a casa, já tinha lido quase todos os livros que trouxe na viagem... o que não li foi porque descobri que não me interessava tanto. Mas aproveitando que os livros são mega baratos por aqui e que eu tenho tempo e vontade pra isso, devorei "Assim falou Zarathustra" do Nietzsche (que comprei pelo incrivel valor de GBP 3,99) em pouco mais de uma semana. Estou agora da metade para o fim de um outro livro sobre a vida do filósofo Espinosa e do Leibniz. E a lista de livros cresce enquanto visito as livrarias daqui e vagueio pela internet. A próxima parada agora é deixar a filosofia pura de lado e explorar um pouco pensamentos mais contemporâneos, principalmente ligados a colaborativismos, ciberespaço e por ai vai. Acho que tudo isso pode se compor muito bem com os rumos que estou tomando de pensamento e ação, mesmo antes dessa viagem. De fato, vejo essa viagem não como uma quebra, uma experiência totalmente inovadora na minha vida, e sim como uma concretização e uma potencialização de diversas mudanças que já se iniciavam bem antes. Mas essa discussão deixarei mais pro fim da viagem, quando estiver em melhor posição para avaliar minhas experiências por aqui, que mal começaram.
Sobre cozinhar, o mais extraordinário é o fato de que a casa tem fogão a gás!!! Ja me desentendi muito com os fogões elétricos que encontrei pelos albergues por aqui, fiquei muito feliz de ter a possibilidade de cozinhar decentemente quando cheguei na casa. Tenho me especializado bastante misturas. Brinco até comigo mesmo de abrir um restaurante onde os praos são grandes misturas. Os nomes dos pratos seriam determinados de acordo com a origem e a combinação dos elementos, como "mechidão" (brasileiro), "soborô" (oriental), "le górórobe" (frances), "grude da mama" (italiano) e dai pra baixo! Bom, de modo geral as misturas que eu faço (muitas sem nacionalidade definida) saem muito boas, modéstia a parte!
Bom, fico devendo mais um post, sobre minhas experiencias musicais por aqui, o que está ligado aos meus avanços na comunidade brasileira também. Cenas do próximo capítulo...
domingo, 9 de março de 2008
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